1. Lanchonete

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    Sou a unica mulher no balcão da lanchonete, cheio de caras gordos e famintos, que vieram sozinhos. Mas eu também adoro uma refeição completa.

    O cara do meu lado pede um filé de frango bem passado no pão francês, com vinagrete, e fico pensando que também deveria ter pedido o meu frango a milanesa desse jeito porque estava meio cor de rosa no meio e acabei comendo mesmo assim. Tudo bem. 

    A hora do almoço é um caos onde me divirto, relaxando na bagunça onde parece que tudo pode. Mas existem certos códigos que acabo decifrando: faça a comanda objetivamente, não traduza do seu nativo inglês, falando algo do tipo : com licença, não queria incomodar o senhor, mas será que poderia dar uma olhada no cardápio? Não vai dar certo. Seja um pouco mais bruta. Ou fique esperando, observando a cena e escrevendo no diariozinho novo. 

    Um café mochachino descafeinado com leite de soja light também não vai rolar.

    Começo elaborar uma ideia sobre tradição e bagunça. Bagunça: a correria, a batalha, o esforço, o conflito e a alegria; uma cidade energética, cheia de conflitos, cheia de problemas, de trabalhadores frenéticos; um lugar onde diariamente se lembra que a vida não é só bela e tranquila, existe dor, sofrimento e coragem. Mas ao mesmo tempo todo mundo para para almoçar. 

    Tradição: formada pela fé num jeito de ser, pelo conforto do conhecido e do caminho batido, e refinado ao longo dos anos. As tradições trazem conforto e força. A tradição do almoço dá força para os lutadores da metrópolis absurda. O sanduíche de pernil, pelas calorias e pelo conforto de saber que vai ser aquele sanduíche naquele lugar. 

    Conclusão: a tradição abastece a bagunça.